Aninhado no coração das Montanhas de Wicklow, Glendalough é um dos locais históricos e naturais mais emblemáticos da Irlanda. Este vale glaciar está repleto de história que remonta ao início da Idade Média.

A fundação de Glendalough
Glendalough, que significa «Vale dos Dois Lagos» em irlandês (Gleann Dá Loch), foi fundado no século VI por São Kevin, um monge eremita que procurava a solidão nesta paisagem serena. Segundo a tradição, São Kevin retirou-se para uma gruta sobranceira ao Lago Superior (Upper Lake), hoje conhecida como St. Kevin’s Bed (a Cama de São Kevin), onde levou uma vida ascética dedicada à oração e à contemplação.
Com o tempo, a sua fama de santidade atraiu discípulos e começou a crescer um povoado monástico. Glendalough tornou-se um centro de saber, de espiritualidade e de trabalho artesanal, que atraía peregrinos e estudiosos de toda a Irlanda e de mais longe.
A Cidade Monástica
No século IX, Glendalough tinha-se transformado numa «Cidade Monástica», uma comunidade religiosa próspera com igrejas, uma torre redonda e outras construções. Entre os destaques do povoado contam-se:
- A Torre Redonda: com cerca de 30 metros de altura, esta estrutura emblemática serviu de campanário, de posto de vigia e de refúgio durante os ataques vikings. A sua construção impressionante mostra a mestria arquitetónica dos primeiros monges irlandeses.
- A Igreja de São Kevin: muitas vezes chamada St. Kevin’s Kitchen (a Cozinha de São Kevin) por causa da sua torre semelhante a uma chaminé, esta igreja de pedra é um dos edifícios mais bem preservados do local.
- A Catedral de São Pedro e São Paulo: a maior das igrejas revela a importância espiritual do povoado e o seu crescimento ao longo do tempo.
- O Portal: único exemplar do seu género que sobreviveu na Irlanda, este portal de duplo arco era a entrada principal da Cidade Monástica.
Ataques vikings e declínio
Tal como muitos dos primeiros mosteiros irlandeses, Glendalough sofreu repetidos ataques de invasores vikings durante os séculos IX e X. Ainda assim, o povoado resistiu e continuou a prosperar como centro religioso.
No entanto, a importância do mosteiro começou a diminuir depois do século XII. O Sínodo de Rathbreasail, em 1111, estabeleceu os limites das dioceses, e Glendalough foi integrado na Diocese de Dublin em 1214, o que reduziu a sua independência. Com o tempo, o local entrou em declínio e deixou as ruínas de uma beleza misteriosa que hoje se podem ver.
Redescoberta e importância atual
Glendalough foi redescoberto como lugar de importância histórica e cultural no século XIX, numa altura de renovado interesse pelo património antigo da Irlanda. Hoje é gerido pelo Office of Public Works (OPW) e atrai milhares de visitantes todos os anos. O local exerce um enorme fascínio sobre peregrinos, apaixonados por história e amantes da natureza. A proximidade do Wicklow Way e os seus lagos e trilhos pitorescos fazem dele um destino muito procurado para caminhadas e atividades ao ar livre. A ressonância espiritual do legado de São Kevin continua, ainda hoje, a atrair peregrinos e todos os que andam em busca de espiritualidade.
Glendalough continua a ser um testemunho da herança cristã primitiva da Irlanda e da sua ligação duradoura à natureza. As ruínas evocativas e as paisagens serenas do local oferecem um vislumbre de uma época passada, em que a vida monástica florescia no meio da beleza agreste das Montanhas de Wicklow. Seja pela importância histórica, pelo ambiente espiritual ou pelo esplendor natural, Glendalough é uma joia da coroa cultural da Irlanda.
Reserve uma excursão de um dia a Glendalough
Descubra o belo vale de Glendalough e percorra os lagos gémeos no maior parque nacional da Irlanda. Desfrute de uma visita guiada a pé de 30 minutos pelas ruínas do mosteiro de São Kevin e veja a espetacular torre redonda de granito do século XI. Nesta popular excursão de um dia a partir de Dublin, pode também visitar a cidade de Kilkenny, cujas origens remontam ao mosteiro do século VI construído em honra de São Canice, e que foi capital da Irlanda Confederada entre 1642 e 1649.





